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Somos muito infantis! Ainda existem seres humanos que encaram o amor como uma posse: o meu namorado, a minha namorada, o meu marido, a minha mulher... o meu, a minha!

Excluindo a facilidade linguística de o dizer dessa forma, a verdade é que por vezes a coisa é mais complexa do que parece à primeira vista, e sem os intervenientes darem conta, existe muito amor por aí que se resume a isso, ponto.

Nestes casos, com mais ou menos subtileza começam a surgir regras sem sentido: não vais porque eu não quero, não usas porque eu não deixo, se dizes ou fazes assim é porque não gostas de mim, se dizes ou fazes assado é porque tens algo a esconder e muitas vezes o(a) outro(a) deixa isto acontecer por amor, e vai crescendo uma bola de neve azeda.

Até que a prisão se torna demasiado apertada, a corda à volta do pescoço deixa de permitir respirar e inesperadamente(?!) o elo mais fraco quebra!

Não se deixem enganar com a crise dos sete anos, isso não existe! O que existem são copos demasiados cheios onde qualquer gota de água faz transbordar uma crise. O que existem são pessoas com consciência que deram, investiram, trabalharam tudo o que conseguiram numa relação e não receberam o mesmo de volta, deixaram de ser quem eram, que vivem exclusivamente em função de outrem, sob gostos que não são seus, debaixo de regras subtis com as quais não concordam, dando-se conta que a cenoura pela qual corriam deixou de estar na sua frente já há algum tempo, e é isso que gera a crise, independentemente de terem passado sete semanas, sete meses, sete anos ou o que for.

Mas ainda assim, os homens e mulheres detentores de amor possessivo muitas vezes tentam (e infelizmente por vezes conseguem) evitar que o(a) companheiro(a) saia da relação, e fazem-no da pior forma.

Cegos(as) de ciumes e cheios de sentimento de posse, preferem submeter alguém a uma relação sem sentido do que a deixar partir, preferem que o(a) outro(a) se mantenha ali por medo, por pena, por um qualquer motivo que não devia, num dia a dia sem amor, sem sentido, porque os consideram sua propriedade, são uma coisa!

E por fim, nos casos em que a situação lhes foge ao controlo e o elo mais fraco decide mesmo partir, lá do alto da sua pequenez ainda jogam a cartada final:

Vou transformar a tua vida num inferno!

Coitados(as)! A pobreza de espírito consegue descer a níveis tão baixos que não percebem que num inferno já o outro vive... e quando se vive num inferno, qualquer mudança é uma lufada de ar fresco.