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Gosto de escrever.

Não tenho nenhuma pretensão literária e a minha preocupação com a correta construção frásica resume-se ao mínimo, quase não tenho tempo, nem sequer me acho com uma capacidade por aí além, mas gosto de escrever.

Dá-me gozo quando alguém interpreta um texto que escrevi de uma forma completamente nova para mim! E adoro colocar pormenores escondidos no meio das histórias de ficção, pormenores que não criam qualquer impacto no desfecho para aqueles a quem passaram despercebidos, mas que aumentam o gozo a quem os detecta.

Por vezes gosto de estar sozinho, ter momentos só meus, mas não gosto de solidão.

Gosto de oferecer presentes, de conversar com pessoas interessantes, gosto de ajudar e gosto que me mimem q.b.

Herdei o Benfica da parte do pai e a Académica da parte da mãe, mas não gosto de futebol! Não sofro nem um segundo com as derrotas de um ou de outro, no entanto gosto de algumas piadas inteligentes de meia dúzia de amigos com cores clubísticas vincadas.  

É um jogo que não entendo grande coisa. Não tenho paciência para intelectuais da bola, acho os debates desportivos uma seca. Não gosto de claques de futebol, dos facciosismos e dos ódios mesquinhos que se criam à volta desse desporto.

Gosto de chocolate preto, de comida vegetariana, mas também de gelados enormes, de chanfana, sardinhas ou de um hambúrguer.

Não gosto de andar de metro embora o tenha de fazer com frequência. Detesto as horas de ponta e os centros comerciais nas vésperas de Natal.

Detesto ver malta com condução ofensiva, enerva-me especialmente quando sou passageiro de um veiculo conduzido dessa forma.

Gosto de diálogos sinceros. Sou um Ás a ficar surdo no meio de uma conversa que não me interessa. Não gosto de conversas de circunstância. Não gosto que falem sem parar!

Não gosto que me impinjam coisas.

Adoro fotografar e gostaria de tirar um curso de fotografia um dia!

Para mim tão crente é um ateu como um religioso e infelizmente já vi fanatismos da parte de uns e de outros. Gosto de viver a espiritualidade com racionalidade.

Compreendo que muitos não entendam o sentido do parágrafo anterior! E não controlo o sorriso ao imaginar quantas pessoas voltaram atrás depois de lerem o que escrevi agora.

Não sei viver sem desafios e no entanto não gosto de alguns (poucos) períodos de stress que se originam enquanto os vivo. Sou um complicadinho com ar de descomplicado, e por vezes isso é bom, outras vezes atrapalha.

Gosto de falar em público. Gosto das borboletas na barriga antes de se iniciar uma palestra, esse tipo de adrenalina consegue ser algo aflitivamente bom! Acho mesmo giro perceber se as pessoas estão a gostar ou a achar uma seca, uma assistência mesmo sem querer não disfarça e passa essa mensagem com clareza. Gosto da sensação de quando acaba e correu bem.

Considero-me um bom profissional. Gosto de o ser e esforço-me continuamente por melhorar. Sei que ninguém é perfeito e gosto de trabalhar com imperfeitos humildes e esforçados.

Gosto de ser profissionalmente autónomo, mas também de trabalhar em equipa. Gosto de uma troca de ideias produtiva, não gosto de reuniões sem sentido, gosto de pensar em soluções, dá-me gozo resolver problemas e de implementar ideias novas.

Não gosto de malta cuja prioridade profissional é manter uma imagem forte, sem erros nem pontos fracos. Desconfio de imediato.

Gosto de chefias com personalidade forte e capacidade de liderança. Não gosto que me tentem motivar de forma infantil.

Gosto de um bom vinho tinto.

Não tenho paciência para quem se mete nos copos.

Gosto de pessoas com coragem, que me falem de coração aberto e sem medos, gosto que me critiquem de forma construtiva (ajuda-me a crescer). Gosto de pessoas sem segundas intenções, que mostrem quem são e ao que vêm, gosto de quem tem a capacidade de me fazer viver emoções positivas.

Aprecio pessoas ponderadamente loucas e activas na construção da sua própria felicidade.

Não gosto de gente falsa ou de sorrisos cínicos.

Adoro conduzir. Gosto de ir de férias sem destino.

Gosto de humor, gosto que me façam rir, gosto da minha gargalhada e sei rir-me de mim próprio.

Não gosto de discussões. Não gosto de amuos e dos silêncios pesados que nos mantêm sozinhos mesmo quando estamos acompanhados.

Gosto de escrever ao sabor da pena e gosto de o fazer sem um objectivo concreto, sem destino, como se fosse a conduzir sem pressa ou nas férias perfeitas.

Gosto de escrever.