O ser humano é um bicho estranho, cheio de superstições e sempre pronto a arranjar desculpa para uma festa rija.

Não me interpretem mal, eu também gosto de um pedaço de tempo bem passado junto dos que me dizem mais, mas pensem comigo:

Gastar-se mais em compras numa época já de si cara, para um jantar um pouco mais composto do que o habitual, bem regado de preferência, (não vá o azar aparecer se o vinho não for o melhor possível), cuecas de uma determinada cor, doze passas em cima de uma cadeira, reservar um desejo para cada passa, e fazer uma contagem decrescente que culmina na abertura do espumante ao bater a meia-noite...

Grita-se votos de bom ano, batem-se panelas à janela e estoura-se dinheiro a rodos no fogo de artifício... tudo isto para comemorar mais uma volta à roda do sol, mais uma voltinha, mais uma viagem, que venha muito dinheiro, amor e sorte 👀

E de maneiras que é isto! 

Uns dias depois andamos novamente a dar o litro no trabalho, ou alguns na procura de um trabalho, estudos, etc. 

É especialmente tolo, porque invariavelmente todos os anos fica tudo igual. 

Algumas alegrias, umas tristezas, por vezes com saúde, outras na doença, uns com mais outros com menos dinheiro (eu normalmente pertenço aos do lado do menos), uns com mais outros com menos chatices, e doze meses depois repetimos a festa.

E fica tudo igual novamente. 

No entanto, já que estamos naquela que considero ser a noite mais tola do ano, desejo-vos uma óptima viagem em mais uma volta neste calhau azul que gira em torno do sol.

Bom ano!